segunda-feira, janeiro 25, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Terceira Noite


Está uma noite estrelada, embora um pouco fria. Nada que incomode Miguel. “Iá, o frio, man, não me aquece nem me arrefece, iá? Tenho, tipo, um, iá, blusão de penas que gamei a um sócio lá em Xabregas, ‘tás a ver? Mem’ assim, iá? É bué da bom o blusão, man, custava trezentos euros na boa, iá? Caguei pró frio”.
Miguel é um jovem que cresceu nos subúrbios. Sabe de cor a cartilha dos pequenos assaltos, é bastante hábil quando toca a escaramuças, domina a linguagem dos bairros e, para além disto, conhece o futebol profissional por dentro. O bichinho do futebol cedo se atravessou no seu caminho e, surpreendentemente, Miguel não o esmagou e conservou-o numa caixinha de cartão com uma folhinha de alface. Assim sendo, o menino Miguel deu por concluída a sua prestação escolar antes do previsto e, como consequência, falhou o sonho que movia todos os meninos do seu bairro: ser um narcotraficante com um Mestrado em Sociologia que também lançasse álbuns de hip-hop na Florida. O chamamento da redondinha prevaleceria ao longo da sua vida. E todos os grandes futebolistas se lembram do seu primeiro contacto com o esférico. Miguel não é excepção. “Eu, tipo, mais a minha crew, iá?, demos a boca a uma bola de cautchu que o betinho lá da escola levou um dia e, iá, foi assim que tudo começou, foi aí que eu dei os meus primeiros pontapés num objecto, iá?, que eu só me habituara a mandar biqueiradas nos meus amigos. Eu ainda era muito tenrinho. Depois, claro que evoluí, iá? Tipo, deixámos o betinho na boa e fomos directamente à loja de desporto, iá? ‘Tás a ver, só cenas tipo Adidas, Puma e Rucanor e eu, iá, é mem’ assim, quero ser jogador da bola e andar aí a curtir tipo mega-estrela dos Ídolos, cenas de marca e o caraças“. [NDR: Miguel utilizou várias vezes um sinónimo que rima com “alho”, que só por decoro nos escusamos de repetir] É claro que nem tudo foram rosas na carreira. Houve alguns reveses. “Iá, é assim, o primeiro foi logo o prof de Português, começou a stressar comigo por me baldar às aulas para jogar à bola e a dizer que chamava os meus cotas e cenas do género, mem’ naquela, a ameaçar-me, ‘tás a ver? Mas eu, iá, não podia parar e a crew da minha street tratou logo dele, iá? Tipo, demos-lhe um ganda enxerto da porrada, mem’ à frente da escola, que era para que todo o people visse. Iá, foi aí que eu senti o poder da bola a chamar por mim. Pá, e eu senti o people todo comigo, ‘tás a ver? Ganda cena, iá? Tens de sentir a cena, man. E seguir em frente".
Hoje Miguel sabe que as dificuldades inerentes ao profissionalismo persistem e, mais maduro, deixa alguns conselhos àqueles que pretendem seguir as suas pisadas. “Man, há cenas de que eu me arrependi, iá? Tipo, o tal enxerto que demos ao prof. Foi má onda. Quando eu tive a minha primeira fusca, disse logo pra mim, «pá, ó Miguelito, tu com esta cena é que devias ter ido aos cornos do prof, tinha doído menos as mãos», iá? Mas, prontos, são cenas. O que eu digo aos putos é para andarem armados. Iá, tipo, mete um ganda cenário. E é assim, treinem os vossos pontos fortes. Por exemplo, ao fugir da bófia e dos picas no comboio, eu treinei os sprints e as fintas de corpo que me levaram a ser um ganda lateral hoje em dia. E sou capaz de tirar a cinza de um cigarro a um tipo a fumar à janela dum rés-do-chão dos Olivais com um tiro de 6,35 mm, estando eu em Chelas, iá? É muito treino. Respect”.
Ver Miguel, o menino dos bairros problemáticos ignorados pelos centros de poder, a receber um prémio encerra em si um enorme significado. “Pá, iá, sinto que mereço, sou suficientemente humilde para reconhecê-lo, ‘tás a ver?”. Miguel apresentou-se vestido com a sua farda oficial de hip-hopper, deslumbrante com o seu boné estrategicamente mal colocado e não esquecendo os ornamentos fundamentais, de que é exemplo a arma. Miúdas de 14 anos gritaram muito e soltaram muitos palavrões de desejo na sua direcção, num delírio colectivo pseudo-espontâneo bem à imagem da MTV. Porém, Miguel revela já ser comprometido. “A Marlene [NDR: o nome que Miguel dá à sua arma] anda sempre comigo. A Marlene é a minha dama, iá? 4 real. Já tive muitas damas, iá?, tipo a Jessica Carina das Olaias, mas quando vi a Marlene, man, senti uma cena do caraças. E a Marlene tem uma personalidade forte e é muita rápida, tipo, iá, tipo, somos tipo, tipo do mesmo tipo, iá? São cenas bué difíceis de explicar. E depois a Marlene abafou a Jessica Carina, que ficou paraplégica, e conquistou a minha crew e, iá, ela é bué importante para a minha estabilidade emocional. Há cenas que um gajo pensa que são definitivas e que depois não são, como aquela tatuagem do Tupac Shakur que o meu primo me fez aos 16 anos e que depois saiu com álcool, mas esta cena da Marlene é para a vida, ‘tás a ver? É uma cena que ‘tá aqui, iá?”, diz Miguel com os olhos humedecidos, pousando uma mão sobre o coração e agarrando firme o Rui Óscar com a outra mão. E como Miguel, o menino de infância turbulenta, se sente agora, exposto na mediática prateleira do sucesso? Podia haver algum nervoso miudinho antes de entrar em palco, como seria natural, todavia Miguel assegura-nos que nada disso se passou. Com a postura característica dos grandes homens. “Iá, ‘tava, tipo, uma beca cagado, iá, mas depois de fumar uma ganza king-size fiquei na boa. Tipo, o segredo é colares as mortalhas em «L». Se não sabes colar as mortalhas em «L» e não sabes centrar uma bola, esquece puto, isto da bola não é para ti, iá? E eu ‘tou sempre a representar, iá? Na boa, sócio”.
Recebido o galardão, Miguel pega na sua tribo de amigos e celebra em conjunto com um rap improvisado na hora. Está ansioso em partir para a festa. “Iá, agora é curtir, man, e mamar as litradas de cerveja que orientámos no Lidl. Eu sou tipo a Cyndi Lauper e digo «girls just want to have fun», mas tiro a parte das «girls» e meto lá outra cena qualquer, iá? Tipo, «bois», que somos nós, ‘tás a ver? Curtiste a cena? AHAHAHAH!, people do gueto é do caraças, man, ganda humor, mem’ naquela. Quero é ‘tar sempre a bombar, sempre na boa, iá?”. A noite está fresquinha mas Miguel continua a altas rotações fora da Gala Cromos da Bola 2009. Não havia segurança capaz de o deter. Este lateral direito é imparável.

NOTA DA DIRECÇÃO DA CROMOS DA BOLA, SAD: A peça acima reproduzida não retrata as pressões indignas que a Cromos da Bola, SAD sofreu na sequência do anúncio da entrega dos Rui Óscares 2009. Quando nos preparávamos para atribuir o Rui Óscar para o melhor filme criminal, Miguel “ofereceu-se” para receber o galardão da forma que passamos a citar: “Iá, ganda mambo, quero essa cena pra mim, sócio”. Dado que os seus argumentos eram irrecusáveis, nomeadamente, a parte da arma na sua mão, a SAD acedeu com algumas reservas, tendo em vista o superior desígnio que é a prossecução do evento. O título do filme é uma transcrição do que Miguel nos disse na altura: “Man, não vou o quê? Eu vou entrar, iá? E é bom que entre na boa, sócio… ‘Tás a ver? Sócio, tudo o que tiveres nesses bolsos é meu”.
A todos os que perderam a carteira nesta cerimónia a organização lamenta mas declina quaisquer responsabilidades.
Ainda nos meandros do crime, cabe à SAD declarar que o grande indigitado para vencedor desta categoria era Pinto da Costa, mas a SAD à última hora escutou, numa das suas costumeiras conversas ao telemóvel, que Pinto da Costa não viria receber o galardão. Isto porque Pinto da Costa detém uma enorme fobia a máquinas fotográficas, como certos jornalistas já sentiram numa dada rua do Porto. O sentimento é ilustrado pela foto abaixo. Como há muitos flashes neste certame promovido pela nossa SAD, e julgando que tal poderia perturbar o andamento da cerimónia, a SAD optou por não convidar Pinto da Costa. Este, porém, mostrou-se bastante honrado e transmitiu-nos a ideia de beber um galãozinho com fruta em nossa honra e de dedicar o prémio à memória do Guarda Abel. E a nossa SAD, numa outra escuta que acedeu, confirmou que este sentimento de empatia para com a nossa SAD é verídico, pois ouviu Pinto da Costa a aconselhar o Valeri
“Ó morcão, tens um sítio porreiro para visitar num destes dias e onde te vais sentir como Peixe na água, que é aquele blogue de atrasados mentais”, ao que Valeri respondeu “Sí, señor Presidente, como un centrocampista muy guapo en el agua”.

domingo, janeiro 24, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Segunda Noite

O horror. O drama. As vidas perdidas, carreiras decepadas. Crianças que choram, adultos que desesperam. Tudo isto poderia ter sido resultado do Sá Pinto ter encontrado uma mosca na sopa, mas não: na produção premiada com o Rui Óscar para filme de terror com mais amputações posicionais, temos LEFTY HELL - a estória de um tresloucado lateral argentino tão massivamente incapaz, que sozinho consegue a proeza de obrigar o seu treinador a tirar três jogadores das respectivas posições de origem, pondo-lhes a sanidade mental em acentuado risco.

Entrevistado à entrada, João Moutinho negou-se a tecer qualquer comentário ao filme, dado ter-lhe sido barrada a entrada nos cinemas, pois o seu visionamento está interdito a menores de 12 anos.
Esta situação causou alguma celeuma, visto que José Dominguez teve o mesmo problema que o capitão sportinguista: "Nem quando mostrei o B.I. os gajos me deixaram entrar. Ainda os tentei driblar, mas caí, rebolei e fui copiosamente ignorado. Aproveito a oportunidade para anunciar também que irei processar os responsáveis pelos anúncios do iogurte Danoninho por publicidade enganosa. Obrigado."

Alheio à polémica, José Shaffer (irrepreensível no exigente papel de Crazy José Shaffer) mostrou-se felicíssimo pelo galardão.














Através de vídeo-conferência em directo do relvado da Luz, o argentino exibiu a estatueta (demasiado) abraçado ao seu melhor amigo, Patric Lalau.
Mas por que razão brandia o excitado Lalau um Rui Óscar?

Pois bem, para descobrir esse e outros mistérios (tais como o paradeiro de Seba Prediger e dos Pólo Norte) mantenham-se colados ao écran do CDB SAD, tal como o Darko costumava fazer.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Primeira Noite

E a Gala começou com uma pequena surpresa:




















"Beerfest", um filme que passou sob o radar dos críticos de cinema mais conceituados, ziguezagueou em contra mão por uma faixa de sentido único até esbarrar contra a parede do sucesso.
Este inesperado vencedor conta com as inebriantes prestações de jovens promissores como Ciel, Sapunaru, Ilusão, Leandro Grimi, e com o surpreendente regresso do veterano Serguei Yuran, no papel de Mad Max da Boavista. Com tanto talento em exibição, o espectador não se importará certamente de ver em duplicado.














Ébrio de felicidade, o grupo vencedor festejava no bar do teatro onde se realizou o certame - curiosamente já antes de saber que iria ser galardoado com o prestigiado Rui Óscar Para Melhor Comédia Etílica. Parece que o Ciel tinha roubado um Rui Óscar qualquer.
O veterano Yuran faltou à confraternização por alegadamente ter atropelado quatro pessoas e um cão a caminho do evento - estará possivelmente a caminho do Botswana.
Quem gostou de ver uma caneca vaga à mesa foi Alberto João, que fez o obséquio de abrilhantar a festa dos quatro campeões no desporto de levantar o copo.

Na ressaca da surpresa a abrir, iremos continuar a seguir os filmes premiados do ano de 2009.
Mantenham-se ligados a CDB,SAD.

domingo, janeiro 17, 2010

BiChanos

A união homossexual já está no papel. Era impossível reprimir a vontade do arco-íris durante muito mais tempo. E os sinais eram mais que evidentes. Pegando no futebol, sempre houve comemorações demasiado exuberantes (isto é para ti, André, que apalpaste o Jorge Couto sem pudor em Alvalade) e beijinhos por dá-cá-aquela-palha entre homens musculados, algo que nunca levantou grande celeuma (“ah, eles estão muito contentes”, desculpava-se). Portanto, o futebol, nestas manifestações ocasionais, acabou por ser uma montra de grande visibilidade para a propaganda gay.
Tomai como exemplo a gravura supra – uma amostra do Benfica vintage de 1999/2000, já lá vão 10 anos. Vintage sim, porque de uma só penada juntaram-se ícones da estirpe de Bossio, Sérgio Nunes, José Soares, Okunowo, Uribe, Tote e, claro, Chano, só para não ser exaustivo, já que podíamos passar meses a compilar enciclopédias em torno dos nomes deste plantel.
Dissipadas as subtilezas, esta foto é devastadoramente icónica. Um instantâneo pleno de oportunidade, captando um casamento perfeito a três entre os jogadores em causa, o espaço e o tempo, que podem ser ou não do mesmo sexo (cá para mim, o tempo e o espaço são hermafroditas, embora sejam muito polivalentes dentro das quatro linhas). Só por mera distracção esta gravura não está exposta numa dessas casas do Bairro Alto, ao lado de um pictograma do Ronaldo em tronco nu. Aqui está uma barreira constituída por personalidades marcantes, na qual o preconceito só podia esbarrar com estrondo.

De Machairidis, o relâmpago grego que faiscou pelas bandas da Luz, dizia-se à boca cheia pelo terceiro anal, perdão, anel, que possuía tendências capazes de fazer corar o próprio deputado Miguel Vale de Almeida nas suas delirantes festas de mudança de partido.
Nuno “Amélia” Gomes, o grande falhador de golos (por oposição a “marcador”), dispensa apresentações.
E sobre Calado, bom, é melhor remetermo-nos ao silêncio.
Depois, o infeliz Rojas, no sítio errado à hora errada, parece um caso típico de quem se equivocou nas companhias e acabou num bar só com homens, procurando esquivar-se daquela barreira enquanto é tempo. Aliás, erros eram mesmo com Rojas.

Eles podiam não ser futebolistas de grande calibre – Machairidis até se assustava quando via uma bola a mexer e Nuno Gomes tem enganado muita gente durante toda uma carreira devido à fantástica capacidade de tabelar como se fosse um flipper –, mas nem sempre interessa a técnica ao futebolista, para mais se falarmos no Benfica dos tempos loucos de Vale e Azevedo. Outros valores se devem então erguer. E eles estavam cá todos: a coesão na luta pelos seus direitos, o agarrar firme dos seus tintins, as costas erectas voltadas para os seus postes e a tentativa de, em grupo e com os corpos unidos, impedir que as bolas entrassem no seu reduto.
Lamentavelmente, a mensagem não passou de imediato e estes homens não viram os resultados imediatos do seu combate pela igualdade – para dizer a verdade, eram tempos em que o próprio Benfica mal conseguia chegar à igualdade em termos de placard.
Ânus, perdão, anos passaram e agora sim, imagens como esta são reconhecidas pelo Governo. Honra seja feita aos pioneiros.

Dentro de instantes, não percam a Gala Cromos da Bola 2009.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Gala Cromos da Bola 2009

E no dia 14 de Janeiro de 2010, o Mundo virou-se para Portugal.

Seguindo uma tradição iniciada em Janeiro de 2009, a Gala Cromos da Bola surge das cinzas para premiar com os cobiçados Rui Óscares os maiores acontecimentos cinemato-cromáticos do transacto ano civil.

A preparação para o evento foi aturada e minuciosa. Aqui vemos Paulo Madeira a sugar o pó do tapete vermelho que alguns dos seus colegas iriam pisar mais logo.














O Primeiro Ministro José Sócrates fez uma breve aparição, apesar de demonstrar o seu desagrado pelo evento não ser realizado por fax, a um Domingo. Porém, a ira do poderoso beirão foi apaziguada quando soube da presença de Sérgio Lavos, como é natural.

Nos Países Baixos, 12 aviões foram fretados para apoiar Floris Schaap no evento. Infelizmente, a polícia lusa passou por momentos complicados quando os holandeses deram pela ausência do seu conterrâneo, que se pavoneava na Concentração Bi-Anual de Famel em Boticas. Temendo o pior, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado negociou a vinda de Gaston Taument com a comissão organizadora da Gala (nós). Com sucesso.

No tapete vermelho, o público clamava sobretudo por jogadores da União de Leiria.
Mais tarde veio-se a saber que a Câmara Municipal da cidade pagou a sem-abrigo para se fazerem passar por adeptos do clube. Indiferente a esse facto, a dupla Fua-Bambo fez o possível para se evidenciar. Os três verdadeiros adeptos da União presentes pareceram bastante felizes com o impecável fraque do extremo.

No que respeita ao público infantil, os petizes presentes não satisfizeram a sua insaciável curiosidade, visto que Rudi e Driss não puderam comparecer, dado compromissos inadiáveis na Lapónia e na Cidade do Cabo.
Infelizmente, a presença de Marian Had em fato de panda cor-de-rosa não teve o efeito que a organização esperava no que concerne ao preenchimento dos corações das criancinhas.
Aparentemente, Rudi e Driss serão insubstituíveis. A Cromos da Bola, SAD pede publicamente perdão pelo deficiente abordar da questão.

Mas nem tudo foram fiascos.
O Rei da passadeira vermelha deu pelo nome de King. Naturalmente, o ex-central chegou atrasado ao lance, mas a tempo de ser apanhado pelos fotógrafos ávidos de uma perinha oxigenada. Habituado à cor vermelha, seja pela camisola, seja pelo cartão, o brasileiro desta vez não desiludiu, visto que o único charuto que enviou para a bancada acabou por incendiar o sector C2 dos mirones.
"deviam ter construído um Paredão!", gritaram alguns curiosos.

De seguida passaremos para o interior do pavilhão, de onde iremos acompanhar a Gala a par e passo. Mantenham-se ligados à Cromos da Bola, SAD para as próximas novidades relativas aos Rui Óscares de 2009.


domingo, janeiro 10, 2010

Professor Como Ele Não Há Nenhum

- Young man, I want you to tell me... no, better; you stand up, and tell the rest of the class: what do you wanna do with yer life?
- I wanna be Prof. Neca!


Não é fácil não, meus senhores. Ser Professor não é para qualquer um. Observem a dolorosa metamorfose encetada por esta borboleta futebolística que é o louríssimo Neca. Aqui se exemplifica a evolução de um simples jogador que dá uns pontapés na bola ao estado superior que obriga à utilização de um título que transborda de prestígio e sapiência – o Graal de todo o Homo Futebolensis, o título “Professor”.
Primeiro, a perda de cabelo. Mas ainda é uma evolução rudimentar; ganha-se algum saber, mas não o respeito de seus pares. Depois, o bigode: e aqui é o ponto de não-retorno; o bigode é a fase evolutiva crucial no desenvolvimento da crisálida – sem boas condições de humidade, exposição ao calor e, também e porque não, uma boa dose de sorte, não teremos mais um Professor a esvoaçar por esses bancos de futebol. E uma vez adquirida a careca e o bigode, temos o verdadeiro Professor. Neste caso, um belo Prof. Neca.
Por esta altura, já se deve ter tornado claro que falar em Professor e Prof. Neca é praticamente a mesma coisa. Ele é o vulto que encarna toda a mística do título Professor, o homem que moldou a magia deste nome encantado como um oleiro cheio de mestria, o profeta que abriu novos mundos à utilização do nome Professor.
E voltamos a assinalar a importância do bigode num Professor. Todos os Professores tiveram bigode. As evidências são muitas. Vejamos: Queirós teve bigode e ganhava. Jesualdo teve bigode e não ganhava. Manuel Machado, dependendo da lipo-aspiração, ainda deve ter bigode.
Depois há os que apenas não cumpriram meras formalidades, uma espécie de Professores-bastardos. Vítor Manuel sofria como um Professor e quase teve um ataque cardíaco quando quis cortar com o bigode. Toni podia ser Professor, mas preferiu continuar a beber tinto. Mourinho usou uma vez bigode no Carnaval e isso mudou a sua vida da forma que todos sabemos.
E quem se diz Professor sem ter tido alguma vez bigode é porque é impostor.
Talvez seja heresia, pensar que pode haver alguém que possa acalentar a pretensão de chegar aos calcanhares dessa majestática figura que é o mais Professor de todos os nossos Professores – sim, esse mesmo, o Prof. Neca, que até se dá ao luxo de abreviar o seu grandioso título, naquele jeito tão humilde que só está ao alcance das grandes figuras.
Neca não é nada por aí além. Mas se Neca algum dia for Professor, será obviamente um Professor Neca, parte II – a sequela. E isso tem tanto de evidente quanto de perturbador.
Cá esperamos por essa possibilidade, qual steward no túnel da Luz pela equipa visitante.

P.S. - Fomos agraciados com o prémio que podem ver na Sala de Troféus na barra lateral pelo blogue Futebol Bonito. E foi muito bonito, sim senhor, faz muito boa companhia ao pó que empesta a referida sala. Resta então prolongar a corrente elegendo 4 blogues da nossa preferência...
...e o 5º, devido às dores musculares que afligem o plantel nesta altura da época...
Cromos da Bola, SAD (uma surpresa)
Não vá sermos atacados pelo bruxo que fez patifarias ao Ronaldo, eis o texto da praxe:

1- Exibir a imagem do "Prémio Relíquia da Internet" que acabou de ganhar, em qualquer área do blog (barra lateral, por exemplo);
2- Publicar um post a informar que ganhou o selo e o link do blog que o ofereceu;
3- No mesmo post, publicar as regras e indicar os cinco blogs a quem oferece o prémio;
4- Avisar os blogs escolhidos com um mail ou comentário, enviando-lhes o código do selo e o endereço de seu blog;
5-Conferir se os blogues escolhidos por si passaram o selo e as regras.

sábado, janeiro 09, 2010

O Elixir da Eterna Juventude by Angola Star

Vem aí um Mundial.. nao, eu Europeu.. nao ! Um Africal, um CAN!!!
O que para nós é sempre uma montra cromística frutuosa.
Desde já, a nossa homenagem a um dos convocados de Angola e possivelmente uma das vedetas do evento:
Pedro Manuel MANTORRAS. a alegria do poooooooooooovoo irmãooooooooooo!


Para ele aqui fica uma letra apropriada para motivar e sensibilizar para uma eterna juventude que todos poderão atingir... pelo menos no SLBenfica.
Como respeitamos os direitos de autor, agradecemos também ao único Godinho deste país que nao está preso nem indiciado em corrupção. Afinal há Godinhos bons em Portugal.



E para Karaokarem um pouco, aqui está a bela Godinha letra.

Estou velho!

Dói-me o joelho
Dói-me parte do antebraço
Dói-me a parte interna
De uma perna
E parte amiga
Da barriga

Que fadiga
O que é que eu faço?
Escolho o baço ou o almoço?
Vira o osso
Dói o pescoço
É do excesso
Do ex-sexo
Alvoroço
Reboliço
Perco o viço
Já soluço
Já sobroço
Esmiúço
Os meus sintomas
E já agora, do meu médico
Os diplomas
Esmiúço
A consciência
E já agora, apresento a penitência
Ah que estou arrependido
De ter feito e de ter tido
Ai coração, ora seja
Como a que ouvi na igreja
Mea culpa, mea culpa
Minha máxima desculpa
É ter vindo p´ro presente
Conservado em aguardente
Quero ser p'ra sempre jovem
As minhas células movem
Uma campanha eficaz
Água benta e água-raz

O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P'ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!


Vou implorar aos apóstolos
Mas é pior, que desgosto-os
Com tanto pecado junto
Não lhes pega nem o unto
Vou recorrer aos meus santos
Esses, ao menos, são tantos
Que há-de haver um que me acuda
Senão ainda tenho o buda
Maomé vai à montanha
O papa, ninguém o apanha
Na rússia, o rato rói a rolha
Venha o diabo e escolha

O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P'ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!


Misticismo agora à parte
Envelhecer é uma arte
"arte-nova", "arte-final"
Numa luta desigual
Só me vou pôr de joelhos
Ante o mais velho dos velhos
E perguntar-lhes o segredo
De p'ra ele inda ser cedo
Quando o espelho me mira
Já nem o chapéu me tira
Deito-lhe a língua de for a
Pisco o olho e vou-me embora

O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P'ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Pegue na Sua Flute e Venha Festejar com Driss

Esperemos que 2010 seja um ano muito especial, tão especial que dê para ver o Prediger a jogar à bola, o Jorge Jesus a citar Aquilino Ribeiro nos túneis ou o Belenenses a garantir a manutenção sem recorrer à sua insigne equipa jurídica.
A todos vós, Driss deseja um 2010 cheio de Sinamas e que mantenham os Pongolles em cima.
Cin-cin!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Época de saldos e devoluções prematuras

Já passaram pela situação de emprestar uma camisola velha a um amigo, mas vê-la prontamente devolvida porque afinal era inútil, tinha defeito, ou porque ele acabou por comprar uma melhor?
São Costa também.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O Facebook de Miguel

"You have the right to remain silent. Anything you say can and will be used against you in a court of law. You have the right to speak to an attorney, and to have an attorney present during any questioning. If you cannot afford a lawyer, one will be provided for you at government expense."

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Doppelgänger, Tomo XXVI












Nuno Lopes é dos actores mais versáteis da nossa praça. Comparo-o a um Carlos Costa, pela forma como tanto desempenha o papel de Bispo como o de Cavalo, neste tabuleiro de xadrez que é o palco da vida. De permeio, podemos ainda apreciar a sua encantadora performance como Dama, absolutamente sem rival - à excepção de Nuno Gomes.
É esta versatilidade, salpicada a toques de génio, que liga estas duas figuras tão lusas: Lopes com os inesquecíveis papéis de "Chato" ou do rústico "tchanam", e Carlos Costa as himself, o auto intitulado "Homem dos Grandes Golos".

Mas curiosamente, o versátil todo-o-terreno ex-Farense não é a ligação mais óbvia de Nuno Lopes com o Mundo da redondinha. Guest starring: António Duarte, ex-Braga.
O stopper da Arrentela assemelha-se claramente a uma tentativa do actor lisboeta de encarnar um guitarrista de uma banda dos anos 70, mas desenganem-se: ele existe, é real - todo ele carne, osso, permanente e bigode. Ou pelo menos já foi.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

O Rei Está Vivo!...

... e este ano actua em exclusivo no grande palco de Santa Maria da Feira, onde efectua maviosos duetos com o não menos icónico Wagnão.
Discos de platina e próteses de prata é o que se espera desta dupla de ouro.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Sassaricando

- Mamãe, quero jogá uma peladjinha…
- Cala essa boca, muleque! Você tem de se aprumá prá foto pra colocá aí no seu passaportji, ‘tá ouvindo?
- Mamãe, mas eu quero muito batê uma bola…
- Vamo fazê um negócio aí: você tira uma foto rapidjinho e eu deixo você i jogá pra Portugáu na hora.
- Como é meismo?
- É isso aí! Você se mete bonitjinho para a foto e eu libero você, sacou?
- Oba! Valeu!

- NOSSA! VIGE MARIA! Você é um horrô! E eu sou tão bela… Só podji ter sido da transa mal dada que dei com aquele sujeito do boteco!... Sua vovó bem me avisou!...
- Ué? Que tem?
- Que tem? Você 'tá louco?!? Você já viu bem esse sorriso dji múmia, meu filho? Isso é sorriso que se faça para a objetjiva?
- Oi? Então, estou mostrando minha bela dentjição…
- QUI NADA, MULEQUE!! Isso não é sorri, isso é bancá o atrasadjinho, pô! Você é trouxa pra xuxu! E você já viu esse cabelo? Minha nossa! Pareci um microfôni daqueles que o Fernando Pereira usava nos anos 80…
- Fernando quê? Não tô entendendo…
- Você já vai entendê… vou mandar você para um clube qui tem muito sujeito dji bigodji como esse Fernando Pereira... e pelo nômi, o sujeito é primo dele e tudo...
- Como é?
- É isso aí, garoto. Olha aí, seu novo colega dji time… Você vai vê muita gentji iguau lá no Algarvi ou lá como si chama esse treco…

- Nossa… E essi cara aí é legáu? Sei não…
- Não esquenta, filho! Essi cara aí é tão jóia qui ainda vai produzi um filho com o mesmo nome e tudo…
- Sério?
- Sério meismo. É como si você si chamasse Maria Aparecida da Conceição como eu, mas sem bigodji, que isso é coisa brega dji portuguêis meismo.
- Droga, mamãe! Então lá nos Portugáu toda a gentji tem bigodji?
- Não… também há gentji que abusa do géu…
- Do quê?
- DO GEL! Que babaca você é! Você não entedji portuguêis, não? Olha lá que em Portugáu tem muita gente falando portuguêis…
- Ah, géu, agora ‘tou vendo…
- É, géu. Essi aqui pareci que pegou num ouriço-cachêro em véiz dji pegá no boné ao saí dji casa… Veja só…

- Credo! Pôxa, mamãe, os portuguêsis me assustam…
- Não enche o saco, garoto! Você qué jogá futjibóu ou não?
- Quero sim, mas…
- Então você vai ficar quietjinho e fazê o que lhe djigo, ‘tá ouvindo?!? Só num time como o Farensi é que sua feiura vai passá despercebida.
- Sei não… Farensi mi pareci bem, mas os portuguêsis…
- Olha, não é só portuguêis, não. Também tem estrangêro bom dji bola. Esse aqui é o matadô do time… fica frio com ele, ‘tá ouvindo, garoto?

- Como é meismo? Curcitji? Esse cara é bacano?
- É bom qui seja pra você! Se você se descuidá, ele manda um pontapé no meio das suas pernas e você não vai podê gozá mais no resto de sua vida, não! Te aviso: esse cara aí é fogo, não se deixa iludji pelo cabelo dji anjinho, não. Vai sê o primêro cara que você vai djizê olá e o último a djizê adeus todos os dias, ‘tá entendendo?
- E como é o resto lá no Farensi?
- Olha, você se vai dar muito bem. É só você fazê o que sabe. Tem sol, marisco, bunda gorda na praia e djipois… sei lá, você ainda vai pará a outros grandes times, como o Boavista, o União de Lamas… vai ser muito gostoso… e eu sou sua mamãe, acha que te quero máu?
- Oba! Se é assim, mal posso esperá! Quero i já!
- É… é melhor i depressa que esse seu sorriso me está deixando sem jeito meismo… Vai lá e manda grana prá gentji, ‘tá ouvindo?
- Tji amo, mamãe!
- Eu também amo você, garoto.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

360º - Pequena Biografia Não-Autorizada de Angulo

O mundo do futebol ainda chora a perda de Angulo. O ex-jogador espanhol era uma espécie de acamado em fase de negação nos últimos tempos e, portanto, deveríamos esperar o pior. Ainda assim, a consternação invadiu toda a tribo da bola, pois todos estávamos convencidos que Angulo seria um gajo tipo Chano, ou seja, que coxearia condignamente até ao final da época. Tal não foi possível.
Vamos lá dar então um lamiré pelo insigne percurso lusitano deste verdadeiro meteorito geriátrico.

30 Agosto 2009 – O Sporting resgata Angulo num blitz demoníaco que alvoroçou todo o jardim onde Angulo jogava à malha. Sim, Angulo seria a nova aventura dos leões pelas terras de nuestros hermanos, depois de pérolas tão bem sucedidas como Toñito, Robaina ou Koke. Foi só uma questão de (não) desafiar a História.
Neste radioso dia, Angulo toca com a sua bengala pela primeira vez no chão de Lisboa e as coisas até começam bem: nos testes médicos revela uma saúde invejável e dispensa mesmo a cadeira-de-rodas. Segundo Angulo, o acordo com o Sporting foi muito fácil: explicaram-lhe a táctica, ele disse que gostou e tumba!, o lar de Alvalade contava com mais um residente. Para disfarçar, disse que vinha ganhar títulos, mas até os responsáveis do Sporting acharam que Angulo tinha ido longe demais nesse desejo – a secreta esperança dos dirigentes era apenas não estourar com o depauperado orçamento em fraldas anatómicas.
Assegurou a camisola 17 por ter “a ilusão de um miúdo de 17 anos”. Tudo bem. As camisolas só vão até ao 99 e, portanto, não era possível ter uma camisola com o número de anos futebolísticos reais de Angulo, que seriam 126, no mínimo. E já se sabe como os velhos são chatos quando começam com aquelas cenas nostálgicas, portanto que ficasse lá com a camisola 17.

13 Setembro 2009 – A mui aguardada estreia de Angulo. E logo a titular. Tinham sido registados alguns movimentos animadores nos últimos tempos, com o substantivo “agitação” a ser conotado com Angulo pela primeira vez nos últimos 75 anos. A ansiedade é grande, mas Angulo, muito experiente, treme apenas devido aos primeiros sinais de Parkinson.
O Sporting recebe o Paços de Ferreira. Ao intervalo está 0-0. Paulo Bento quer mudar as coisas e aposta em alguém para sair. Quem? Angulo, claro está, que adormeceu de boca aberta e a babar-se durante a prelecção do mister. Os adeptos procuravam arranjar desculpas para aquilo que (não) viram durante esses inesquecíveis 45 minutos, onde a bola fora rechaçada em trajectórias indizíveis pelos pés conservados em âmbar de Angulo – a mais comum era “ah, ele vem com falta de ritmo”. Não é de todo verdade: Angulo gostava de dançar o seu charlestonzito de vez em quando, quando a ciática não lhe flagelava muito.

17 Setembro 2009 – Um jogador do quilate de Angulo não poderia ficar arredado das grandes luzes da Europa e portanto são-lhe concedidos 8 minutitos em Heerenveen. Um luxo. E não teve muitos reumatismos no pós-jogo. Angulo, com a sua mística particular, ainda contribuiu para distrair a defesa holandesa com os seus espampanantes truques de deixar a bola sair por entres as pernas pela linha lateral, proporcionando a vitória a Liedson.

21 Setembro 2009Paulo Bento não conhece a palavra “piedade” e, pérfido, insiste em Angulo para a titularidade no jogo contra o Olhanense, nem 10 dias tinham passado após o seus últimos 45 minutos a titular. Foi quase fatal essa opção. Angulo, sobrecarregado, ia tendo um AVC. Paulo Bento, para não ter que queimar uma substituição devido a falecimento ao intervalo, recolhe Angulo para a caminha logo aos 28 minutos com o placard em 0-2. O Sporting ganha o jogo in-extremis e o plantel tenta reconfortar Angulo, dedicando-lhe a vitória. Mas Angulo não ouviu nada: desde o rebentamento de uma bomba durante a Guerra Civil Espanhola que Angulo possui uma audição muito débil, pese embora a dimensão parabólica das suas orelhas. Os adeptos, contudo, já começam a não achar piada e chegam as primeiras justificações do empresário, proprietário de um franchising de lares de 3ª idade na costa Cantábrica.

4 Outubro 2009 – O Sporting não desata o nó perante o Belenenses e o desespero é tal que Paulo Bento não tem melhor solução do que empurrar Angulo para o campo aos 58 minutos. 32 minutos e mais alguns de compensação depois, Angulo ainda permanecia perdido em campo até que Paulinho veio buscar o saco com as bolas e reparou no espanhol a olhar para o horizonte. “Oh… Oh Miguel Ângelo… anda lá, pá, depois fica frio e constipas-te”, disse-lhe o afável roupeiro. E Angulo, confuso, aceitou a proposta sem perceber uma palavra dita por Paulinho. Paulinho, com alguma tristeza, confidenciou que Angulo “parecia um maluco a olhar para o ar”.

22 Outubro 2009 – Na Letónia ocorre a verdadeira coroa de glória deste período da história de Angulo: num momento de soberba inspiração Andrésdiazesca, Angulo entra aos 88 minutos e vê um amarelo aos 89 minutos. Não, não era a cor das suas ceroulas, era mesmo um cartão amarelo. E assim Angulo disse “presente!” à Europa do futebol. Pelo menos, achamos nós que ele disse: ele empapou tanto a sua fala entre a expectoração que não deu para perceber bem.

5 Novembro 2009 – Dizem que Paulo Bento saiu por isto ou por aquilo, mas a verdade é que Paulo Bento, saturado, fez uma jogada de tudo-ou-nada: “aposto o meu emprego em como hoje o espanhol vai deslumbrar a massa associativa”. Todos nós sabemos o desfecho. Angulo entrou ao intervalo e brindou todos os presentes com uma perfeita demonstração de nulidade futebolística, logo perante esse monstro do futebol chamado Ventspils. Há quem lhe chame arte minimalista.

8 Novembro 2009 – O último capítulo da saga trepidante do ancião asturiano dentro das quatro linhas. Angulo, fiel às suas convicções, entra para novos 45 minutos de geometria estática em Vila do Conde. A equipa passa do 2-0 ao 2-2. Definitivamente, Angulo esquecera-se de jogar à bola e também dos medicamentos contra o Alzheimer em Alcochete. Leonel Pontes encolhe os ombros e deixa o problema da argália de Angulo para o próximo treinador resolver.

5 Dezembro 2009 – Estava Angulo a ter a um mês tranquilo, realizando o seu treino personalizado sem condicionamentos, ou seja, cinco minutos diários de passeio em passos moderados de uma bandeirola de canto ao primeiro poste sem recurso a canadianas, quando Carvalhal se acerca dele e lhe entrega uma nota de despejo. O decano espanhol demora algum tempo a perceber o que lhe estavam a dizer, mas depois de tomar a medicação finalmente arruma o penico e as pilhas do pacemaker na bagagem e despede-se de Lisboa. Tinham sido 231 intensos minutos em 7 jogos e, valha a verdade, Angulo já se sentia exausto e sem vontade para sequer jogar um dominózito no Jardim da Estrela. Pelo menos, esta saga lusitana deu-lhe material suficiente para contar uma notável história para adormecer aos seus netinhos – um material soporífero ao nível daquele que arrastou pelos campos durante este curto, mas significativamente marcante, trimestre.

domingo, dezembro 06, 2009

The Darko Diaries

Olá.

Meu nome é Darko Butorovic e sou croata. Lembrar-se-ão de mim como lateral direito do FC Porto e do Farense. Ao serviço de ambas as colectividades atingi a simpática fasquia de 10 jogos na Liga Portuguesa.
















Gostaria de ter jogado mais, mas tive a feroz concorrência de titãs como Carlos S. e Rui Eugénio, o "Pigmeu". Era assim que eu lhe chamava. Normalmente ele respondia com "croata filho da p***", porém sempre preferi ser tratado por "Darko, a Ameácia da Dalmácia".
Infelizmente só o Mielcarski é que me chamava isso, mas como o polaco dividia o tempo entre a enfermaria, o hospital e o sanatório, acho que só o vi duas vezes na vida. Uma foi no treino onde se lesionou no joelho direito, e outro foi no treino onde perdeu a orelha esquerda. Primeiro pensámos que fosse lepra, mas depois viemos a saber que era apenas uma variante estranha da peste bubónica. Quando soubemos que nos tínhamos enganado, eu e o João Manuel Pinto rimo-nos muito. Adoro diagnósticos errados. Bons tempos.

Por esta altura, os caros leitores já devem estar a interrogar-se sobre o que farei eu neste escabroso blog. Pois bem, hoje recebi o meu primeiro computador (obrigado, Mamã), e o Cromos da Bola, SAD foi generoso o suficiente para me endereçar este singelo convite para escrever umas tretas avulsas. Na verdade, foi o primeiro convite que recebi de um site da internet, desde que o interracialtranssexualwhores.com me perguntou se não queria ser a estrela de um filme deles. Eu disse, "nem pensem nisso, sou muito fraquinho em frente a uma câmara! se quiserem provas, vejam estes dez jogos de futebol nos arquivos da RTP Portugal", e dei lhes as datas. Não me voltaram a ligar...mas eu enviei-lhes o contacto do Chippo. Parece-me que será mais indicado para o que eles pretendem.
















Porém, os administradores e accionistas maioritários do blog pediram-me para fazer uma breve resenha dos meus tempos como artista do cautchú neste País irmão. Assim sendo, não irei divagar demasiado.

Cheguei ao Porto na época de 96/97, supostamente para substituir um eloquente senhor chamado Broas, que actuava na minha posição. O meu concorrente directo era o tímido Neves, um bom rapaz, que teria sido um bom jogador caso tivesse nascido com jeito para jogar à bola. Mas era peixe miúdo comparado comigo, coitado. Escusado será dizer que após meia-dúzia de treinos o meti no bolso. É que...Santo Deus de Virovitičko-Podravska, o pobre do Neves cruzava tão mal, que cada vez que metia o pé à bola, um anjo caía do Céu e a santa face do Senhor enchia-se de lágrimas.

No entanto, por algum motivo que não consegui descortinar, o mijter não confiava no meu toque sedoso e estóico posicionamento defensivo, e enfiou um miúdo cheio de brilhantina a jogar na minha posição. Eu não tenho nada contra o Krstic ou o Lopes da Silva, mas o petiz vinha do insalubre Felgueiras! Quem era ele à beira do condecorado "Darko, a Ameácia da Dalmácia"?
Obviamente que fiz aquilo que nós croatas melhor sabemos fazer: amuei. (pensavam que ia dizer "genocídio de massas"? tristes.)

O mijter voltou a não apreciar o meu balcânico beicinho, e recambiou-me para Split via empréstimo. Mas Darko não gosta de empréstimos. Boicotei aquele que seria o regresso triunfal ao País que teve o privilégio de me ver nascer, quando recusei tomar parte das tradicionais festividades de Natal em Split - lutas de cães até à morte, com o intuito de angariar fundos para caridade e compra de armas brancas. O povo não gostou, chamaram-me egoísta. "As crianças precisam de ti!", vociferavam eles. Mas mal sabiam eles que este acto teria sido premeditado - queria voltar a Portugal, provar que merecia jogar na equipa de Lars Eriksson! Claro que depois dos tumultos que provoquei com a minha nega (morreram 15 pessoas só no Condado de Koprivnička-Križevci no meio dos confrontos), teria que voltar a Portugal. O meu plano resultara.

Na realidade, não foi bem assim. É verdade, Darko estava de regresso ao Porto para mostrar toda a sua divindade canalizada pela lateral direita, mas o Presidente tinha também resgatado outro grande futebolista para disputar comigo o lugar no plantel até à morte. Um croata está sempre pronto para dar a vida pela titularidade, reafirmei eu para quem quisesse ouvir.
Durante quatro semanas refinei as minhas tácticas de guerra. Li Sun-Tzu, tirei um breve cursito em armas de destruição maciça, investi num workshop com um puto chamado Gilles Binya em Guantanamo (por onde andará ele? era bastante promissor...), e viajei até à Bulgária para um retiro de quinze dias com o monge belicista Trifon Ivanov. Este último curso foi-me especialmente útil, pois aprendi finalmente a comer gatos selvagens crus sem regurgitar. Quando era pequenino na minha terra, sempre que comia gatos, grelhava-os primeiro...passava por mariquinhas, obviamente.















Após este reavivar de velhos conhecimentos, dirigi-me ao mijter na minha melhor pose guerreira, com as mãos tingidas a sangue de urso e catana às costas, e apresentei-me para a disputa da posição de lateral-direito. Quando ele me disse assustado que o lugar iria ser disputado com uma bola nos treinos, fiquei muito desiludido. Darko não gosta de Portugueses - demasiado moles.
Mijter afirmou: "És como o apêndice: és obsoleto, ocupas espaço, e ocasionalmente provocas dor, acabando por ter que ser removido à força."
Amuei, e fui de novo emprestado. Passei fugaz pela Holanda, antes de me enfiarem em Faro.

No início até apreciei a mudança. No Algarve finalmente estava livre de portugueses, e sempre podia arranjar confusão com ingleses bêbedos na noite de Albufeira. Não era a Croácia, mas no meu optimismo, admiti que um ou dois genocídios mensais pudessem ser possíveis.
Com tudo isto, distrai-me um pouco do futebol, e acabei por só vestir por uma vez a camisola do Farense. Com muito orgulho, especialmente porque me enganei e peguei na do Dieb. Assim, os adeptos e adversários não conheciam nem o número, nem o nome, nem a cara. Foi um fiasco. E foi também a minha última aparição na 1ª Divisão Portuguesa (e do Dieb também).















Pouco depois, acabei a carreira, de novo na Croácia natal.
De Portugal, um sabor agridoce, como as entranhas de uma girafa bebé. Momentos bons e maus. Mas vinguei-me da dispensa e da falta de oportunidades na Invicta, quando lhes aconselhei a contratação do Ivica Kralj. Pobres diabos.

Agora sigo a vossa bola de longe, sem grande interesse. Aprecio a forma como os remates de fora da área do Pinheiro fazem o Chaló sonhar, e regozijo-me por ver que o ex-clube de Darko ainda não recuperou da minha extemporânea saída, dez anos volvidos.
Agora têm lá um Sapunaru, para quem um passe longo é um long island ice tea, um passe curto é um mini-bar, e um remate de ressaca é levado à letra.

Agradeço a atenção dos leitores do Cromos da Bola, SAD, ao mesmo tempo que me dá bastante pena o facto de não terem nada melhor para fazer do que ler esta vaga dissertação.

Atentamente,
Darko "a Ameácia da Dalmácia" Butorovic

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Académica para Crianças

Era uma vez...

Um Abazai que se ria
Fosse noite ou fosse dia
dos colegas e do plantel,
como prova a fotografia.

E porque ria Abazai?
Seria do plantel e do entra e sai?
Ou Seria da briosa e do seu futebol em prosa?
Sim, porque em 97-98, jogavam como um doce biscoito
( fazer rimas com numeros tem que se lhe diga..)

E lá estava a Académica a jogar um belo futebol
quer à chuva quer ao sol.

Mas por que se ria Abazai?
pois bem...
Só agora se percebeu o que ia no clube treinado por Romão e Calisto nesse ano.
Se juntarmos as peças cuidadosamente percebemos que:

A culpa era do Mickey que não gostava de Febras ao pequeno almoço.
Para acabar com o problema precisava de algo divino... então foi-se Mounir de uma Cruz e, forte que nem uma Rocha, foi pelos Campos fora a Roma sozinho, tendo-se cruzado com o Abazai pelo caminho.


Moral da história: Treinos de manhã, só com Leite e Cereais.

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